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September 11, 2018 - ARMA in Brazil

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September 11, 2018 - ARMA in Brazil

Caroline Suinner

Por Monica Gathuo, foto de Fábio Da Silva Conceição

Esta é minha primeira postagem sobre nosso projeto ARMA Alliance (Anti-Racism Media Activist Alliance, Aliança Midiativista Anti-Racismo). Nela eu gostaria de compartilhar minha experiência no Brasil. Lá eu conheci algumas de nossas mais importantes parceiras no Rio de Janeiro. ARMA, como todos sabem, tem o financiamento da Fundação Kone (Koneen Säätiö - Kone Foundation).   

Assim que o projeto ARMA começou no último janeiro, nós temos conversado e trocado mensagens empolgadíssimas sobre a viagem planejada ao Brasil para conhecer Criola, nossa organização parceira.

Quando a Kone anunciou que fomos selecionados, tanto nós na Finlândia quanto elas no Rio imediatamente ficamos ansiosos para nos conhecer.

Na verdade, o Léo já as havia conhecido pessoalmente. Mesmo assim, nós dois estávamos muito animados para encontrar Lúcia Xavier, coordenadora geral de Criola, e outras pessoas da organização.

Para mim, a longa espera terminou quando meu avião pousou no Rio na última semana de julho. Valeu muito a pena esperar.

Pessoalmente, chegar ao Rio foi o final de uma longa jornada. Foi como se tivesse chegado ao fim um sentimento de não-pertencimento que já durava quase três décadas. Sem que eu soubesse, esta viagem também foi uma das que eu esperei por tanto tempo. Uma viagem que me desse muita esperança para o futuro.

Antes de começar a viagem, me recomendaram que eu fizesse o máximo pra me manter segura.

Ouvi que só pegasse táxis oficiais, que enviasse mensagens para confirmar que cheguei à hospedagem, que não ficasse vagando por ruas vazias e mesmo que carregasse um dinheiro trocado e um telefone barato que pudessem ser perdidos em situações de ameaça à minha vida.

Essas dicas, eu admito, me deixaram meio preocupada no início. Mas depois que eu cheguei eu percebi que elas faziam parte do cotidiano das pessoas que moram no Rio.

Mudar de continentes pareceu um salto enorme, mas em termos de clima a diferença não foi tão grande quanto eu tinha imaginado. Sem o sol escaldante de Helsinki nesse verão atípico, o Rio e o mar criavam uma brisa refrescante.

A grande diferença foi que, diferente de Helsinki, a representação negra no Rio foi fascinante. No primeiro dia na cidade eu me vi em tantas pessoas nas ruas de uma forma que nunca imaginei ser possível.

Andar pelas ruas de Copacabana numa tarde de domingo até então era uma ideia aterrorizante. Meu maior medo era me destacar e ser vista como uma gringa vulnerável. Mas aprendi rápido que eu havia me misturado sem causar nenhuma suspeita. Os cariocas seguiam suas vidas sem pensar que eu era diferente!

Durante os eventos e reuniões em Criola, eu me senti muito inspirada ao estar com mulheres que fazem há muito tempo algo que eu estou apenas começando.

Tivemos duas apresentações, uma para alunos em um dos cursos em Criola (foto) e outra numa conversa para ativistas negras. Sentar algumas vezes com grupos diferentes me deixou claro que mesmo que a gente viva em países tão diferentes social e politicamente, nós também temos muitas questões em comum que afetam nosso bem-estar como populações racializadas.

A violência física que é tão evidente no Brasil não é tão presente e aberta na Finlândia. Ainda assim, nós vivenciamos a mesma violência psicológica em forma de micro- e macro-agressões. Sem dúvida, também passamos pelo processo de ser tratados como “os outros”.

Pessoas racializadas sofrem com a escassez de oportunidades nos dois países. Foi notável também como nos dois países a juventude racializada são normalmente direcionadas para caminhos de futuro parecidos sem se preocupar muito com sonhos e esperanças individuais.

Mesmo com tudo isso, eu e as mulheres que conheci encontramos muito conforto e apoio umas com as outras. Nós definitivamente desejamos um futuro onde possamos construir elos mais fortes e que trabalhemos mais juntas.  

Nos últimos dias de viagem, eu andava pelas ruas próximas ao local onde estava hospedada com todos estes pensamentos na minha cabeça. Eu queria aprender e envolver mais. Como dizemos na Finlândia, tínhamos só quebrado o gelo e eu sabia que teríamos muito mais a descobrir ao mergulhar na água gelada.

Senti que talvez a melhor coisa a fazer seria voltar ao Rio com minhas lindas amigas ativistas finlandesas para criar elos ainda mais fortes com Criola. Mal posso esperar!

Ao chegar à Finlândia eu achei, por um breve momento, que só havia me restado um cartão pré-pago com créditos do metrô e outra gripe que peguei durante a viagem. Mas meu coração derreteu assim que liguei o telefone e o Facebook me notificou de todas as fotos nas quais eu tinha sido marcada.

Isso me fez perceber que eu agora faço parte dessa comunidade. Uma ponte com o outro lado do planeta está sendo construída. Essa viagem definitivamente não foi só uma visita, mas o começo de algo maior. Depois de estar no Rio, eu sinto que a ARMA está se tornando algo maior do que um projeto de pesquisa ativista de três anos.